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The Idler

Publicado por Vinicius Manhães Teles há 7 meses.

Ontem tive que ir ao Detran buscar um documento e, na expectativa de gastar horas esperando pela boa vontade desta instituição tão "amada e eficaz", comprei uma "Super Interessante" para passar o tempo. Fazia tempo que não lia esta revista. Acabei me deparando com o trabalho de Tom Hodgkinson. Ele parece ser uma versão inglesa de Domenico de Masi, com a diferença de ser bem mais novo e, ao que parece, praticar o que prega. Domenico vem defendendo há anos que devemos mudar a forma como encaramos o trabalho. Deveríamos trabalhar menos, para começo de conversa. Mas, ele próprio, trabalha demais. Então, perde um pouco do moral. :-)

Voltando ao Tom Hodgkinson, ele defende a vagabundagem! E é bem sério a este respeito. Ele próprio está se tornando um vagabundo cada vez maior e diz trabalhar apenas três horas por dia. Segundo ele, "já tem muita gente fazendo coisas demais. Se você deixar de fazer tanto, já vai colaborar". O engraçado é que li isso pouco antes de entrar no carro e encarar DUAS horas para fazer o percurso de trinta quilômetros entre a minha casa e o projeto Lucidus (portanto, 15 km/h). Enquanto eu atravessava a Ponte Rio-Niterói e comentava com o Leandro sobre o vagabundo supracitado, me dei conta do quanto ele estava certo. Tem tanta gente fazendo tanta coisa que se algumas pessoas decidissem fazer menos, já ajudaria muito. Para começo de conversa, talvez elas ficassem mais tempo em casa e, com isso, parassem de colocar o carro na rua.

Vou ao Lucidus apenas uma vez por semana. O resto do tempo trabalho em casa. Ainda assim, cada vez que tenho que ir lá no Leblon, é um tormento. O transito piora a cada dia, a olhos vistos. No começo do projeto, talvez eu levasse uma hora, que já era muito. Como tempo, isso virou uma hora e meia e agora já estamos na casa das duas horas. Tudo isso em pouco mais de um ano!

Tem milhares de pessoas que fazem isso ou pior todo santo dia. Algumas têm o privilégio de trabalhar em um lugar legal. Enfrentam um trânsito do inferno, mas ao menos têm um trabalho digno e divertido. Mas, isto é a exceção. A maioria absoluta das pessoas faz este percurso infernal para chegar a um trabalho detestável.

Isso é uma questão que me intriga profundamente. Eu sei que todo mundo tem que defender o leitinho das crianças. Todo mundo tem contas para pagar. Todo mundo tem suas razões, mas, na boa, a situação atual nas grandes cidades chega ao cúmulo do ridículo. Será que isso realmente é o melhor que a gente pode fazer? Será que não há uma alternativa? Hoje já há várias pessoas aqui no Brasil trabalhando com desenvolvimento de casa. Tem tanta gente talentosa perdendo seu tempo em empresas idiotas e em engarrafamentos infernais. Será que não vale a pena procurar alternativas? Talvez não se consiga algo da noite para o dia, mas com um pouco de esforço e empenho na direção certa, muita coisa se torna viável.

8 comentários

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Comentários (8 até o momento)

  1. Carlos Brando disse aproximadamente 7 horas depois:

    O pior é que depois que comecei a trabalhar em casa parece que trabalho mais...

  2. Edson de Lima disse aproximadamente 8 horas depois:

    Lendo isso entendo porque você e o Tapajós não entendiam meu nervosismo por levar uns 10 min. de carro até aqui na Leosoft...

    Mas, sabe, venho pensando muito nisso, também. Eu já estou me encaminhando para os 33, e agora com a chegada do meu primeiro filho, parece que passei muito tempo como um cachorro correndo atrás do próprio rabo... tenho a impressão que trabalhar simplesmente pelo salário já não faz tanto sentido assim. Nem que se matar "pela empresa", ou mesmo "por uma vida confortável" esteja me levando para onde realmente quero ir. Às vezes, parece que perdi o controle da minha vida, e que tudo o que faço é por alguém, ou alguma coisa que não é minha.

    De qualquer forma, ainda dá tempo de mudar. Não quero chegar aos 40, e ver que perdi a infância do meu filho...

  3. Vinícius Manhães Teles disse aproximadamente 8 horas depois:

    Edson,

    Se você ousar reclamar do trânsito de Francisco Beltrão, vou aí pessoalmente bater em você. Humm, se bem que considerando a diferença de altura... Deixa pra lá. :-)

    Pois é, hoje estou completando meus 32 anos e ainda gosto de nutrir a "ilusão" de que a gente pode ter algum controle sobre a própria vida. Embora tudo a nossa volta conspire contra, acho que a gente não veio ao mundo para viver para os outros. Algum controle sobre nosso próprio caminho a gente tem que ter.

    Agora, com um filho, imagino o quanto você deve estar refletindo sobre estas questões. Seja como for, o lado bom da história é que acho que há mais oportunidades do que nunca para controlarmos nosso próprio destino. Mas, tudo começa na nossa própria decisão de fazer isso. A maioria das pessoas nem sequer pensa no assunto. Para estas, não há o que decidir.

    Grande abraço, Vinícius.

  4. Rafael Dx7 disse aproximadamente 15 horas depois:

    "esforço e empenho na direção certa". gostaria de saber mais sobre isso pra essa situação.

  5. Thiago Arrais disse 4 dias depois:

    Não conhecia esse Hodgkinson e é bom saber que se eu não tivesse cancelado minha assinatura da Super, provavelmente o conheceria. Porém a idéia do De Masi não é simplesmente trabalhar menos, mas que a divisão do dia em três terços dedicados cada um exclusivamente a trabalho, lazer e descanso está acabando.

    A verdade é que já tem bastante gente fazendo isso hoje em dia. Você pode trabalhar e se divertir ao mesmo tempo, desde que faça algo de que gosta. Do mesmo modo, qualquer trabalhador do conhecimento pode trabalhar enqüanto descansa. Quantas vezes não temos uma ótima idéia quando estamos simplesmente passeando ou lendo um bom livro? Este é o ócio criativo. No fim das contas, o ócio criativo faz parecer que estamos trabalhando menos, mas é tão somente um trabalho mais saudável e sustentável.

    E por falar em vagabundagem, outro autor bastante interessante é o Carl Honorè, do Devagar.

  6. Lucas Gameiro disse 6 dias depois:

    Estou cursando o 4 ano de ciência da computação e desde o 2 me interesso pela XP. Lendo este post não pude deixar de concordar que o trânsito das grandes cidades está um caos e as pessoas estão trabalhando e se estressando demais mas, lembrando de um trecho do livro do Kent Beck me pergunto se a solução de trabalhar em casa não iria confiltar com: "A XP prefere exagerar no espaço público... Os membros do time precisam ser capazes de ver uns aos outros, de ouvir uma pergunta pensada em voz alta, de ouvir 'acidentalmente' conversaspara as quais ele tem contribuições vitais."

  7. André Luiz Cardoso disse 13 dias depois:

    Li também essa entrevista. O cara parece ser bom mesmo, um tremendo vagabundo! Um livro muito bom que tem a ver com essa atitute é o "Você está louco!" do Ricardo Semler. Escrevi um trecho deste livro em http://andrecardoso.wordpress.com/2008/05/13/caixas/ Se tiveres interese e alguma das horas do teu ócio, dá uma olhada. O livro é muito bom, recomendo fortemente a leitura.

  8. Vinícius Teles disse 14 dias depois:

    Oi, André.

    Eu li o "Você está louco!" há algum tempo. É realmente muito bom!

    Grande abraço, Vinícius