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Uma verdade inconveniente: podemos mais do que parece, ainda que continuemos a ser alienados

Publicado por Vinicius Manhães Teles há aproximadamente 1 ano.

Este post é sobre política e eu sei que você odeia este assunto. Então, tchau! Sério, vai embora, não precisa ler o resto. Até porque, não há nada que você possa fazer para melhorar este país e erradicar a mazela de políticos corruptos que brotam por todos os cantos, certo? Bem, isso é o que parece. Mas, talvez não seja exatamente verdade. É possível que você possa fazer mais do que imagina, simplesmente programando.

Sabe, você e eu não somos tão diferentes assim. Nós dois gostamos mesmo é de programar, fazer software, viver entre geeks no nosso mundo tecnológico. Portanto, como política é um negócio chato, que não tem nada a ver com o que a gente faz, só poderíamos ajudar em questões políticas se resolvêssemos nos envolver com ela e com um monte de coisas que a gente não gosta. Sei que é tentador pensar isso, mas realmente começo a acreditar que trata-se de uma mentira. Ou seja, acredito que dá para ajudar a melhorar o país, sobretudo a política, sendo o que nós somos, programadores e fazendo o que sabemos: software. Como? Muito simples, vamos substituir os políticos por programas bem escritos e bem testados, feitos com alguma metodologia ágil. :-) Brincaderinha, galera. Agora, falando sério, dá para ajudar como programador criando ferramentas que possam tornar o mundo mais transparente.

Sejamos honestos, quem ainda acredita em político neste país? Ninguém. Qual é o melhor candidato para as eleições deste ano? Provavelmente nenhum. É triste. O problema é que alguém vai ser eleito. E vai passar quatro anos sacaneando a gente. Como a gente já não se importa mais, o salafrário não vai ter a menor dificuldade de fazer isso, afinal, não está sob os olhares atentos da população. A menos que...

A menos que não seja mais possível passar incógnito. A menos que a pressão popular se faça sentir de forma tão incômoda e nítida que o sem-vergonha comece a temer de verdade. Mas, é claro que isso é uma utopia, afinal, como conseguiríamos que algo assim acontecesse?

Transparência Brasil

Vamos lá, há algumas horas o Guilherme Chapiewski lança a seguinte pergunta no Twitter: existe algum site que dê para ver uma listagem, currículos e propostas de todos os políticos das eleições 2008? Então, o Celestino responde: Naum sei se é isso que vc quer: http://www.transparencia.org.br/index.html. Talvez vocês conheçam o site TrasparênciaBrasil.

Os criadores do site o definem assim:

Transparência Brasil é uma organização independente e autônoma, fundada em abril de 2000 por um grupo de indivíduos e organizações não-governamentais comprometidos com o combate à corrupção.

Este é um site que procura publicar dados sobre os políticos salafrários, para que as pessoas conheçam as porcarias que eles fizeram e evitem lhes agraciar com mais votos. O pessoal do TransparênciaBrasil faz um trabalho excelente e estão de parabéns por isso! Não faço idéia de quão efetivo este site consegue ser, nem dos resultados que obteve até hoje. Porém, acredito que os resultados poderiam ser turbinados e essa é a parte em que nós, desenvolvedores de software, poderíamos colaborar.

Embora eu goste do trabalho do TransparênciaBrasil e aprecie seus objetivos, acredito que a ferramenta que eles usam, o site, poderia ser mais visitado e mais útil para a população, se pudesse passar por uma reforma geral. Na minha opinião, ele não é nada atrativo. Política já é um assunto chato demais. Tratá-lo com um site esteticamente pobre e funcionalmente sub-utilizado não ajuda em nada. Veja, essa não é uma crítica ao pessoal do TransparênciaBrasil. Eles estão lá tentando ajudar a todos nós voluntariamente e a gente nem dá idéia para eles. A crítica é para nós, desenvolvedores. Por que não fazemos nada para ajudar? Tem gente lá que gosta de política, e tem paciência para levantar informações sobre os políticos safados e publicá-las. Tem gente aqui que odeia política, mas adora fazer site. O que está faltando para um grupo trabalhar com o outro? Provavelmente podemos fazer mais pelo país, juntos, do que separados.

Eu acho muito legal iniciativas de open source, por exemplo, bem como acho bacana e louvável a pessoa investir parte de seu escasso tempo nas mesmas. Porém, acho que às vezes a gente não se dá conta de que open source não tem que significar apenas fazer ferramentas e outras coisas para alimentar nossa própria comunidade e resolver nossos próprios problemas. Open source também pode significar trabalhar voluntariamente, fazendo o que a gente sabe fazer de melhor, ou seja, programar, para resolver problemas socialmente relevantes.

Rede Social

Nós todos adoramos o Github, certo? Pois é, projetos open source nunca mais foram o mesmo depois dele. O site é fantástico. Todos nós provavelmente temos a percepção de que ele turbinou o mundo do software livre. E acho que turbinou mesmo.

O Github ainda foi além, conseguiu criar uma rede social relevante. Desculpem, mas eu não sou muito fã de redes socias. Não tenho paciência nenhuma para Orkuts, Facebooks ou coisas do gênero. Mas, o Github conseguiu criar uma rede social útil e vibrante. Minha pergunta é: já pensou se conseguíssemos criar uma rede social útil e vibrante para apresentar informações claras e atualizadas sobre mulheres e homens públicos?

Não estou sugerindo que eu ou você fiquemos escrevendo sobre políticos. A gente não tem paciência para isso. O que estou sugerindo é que talvez a gente possa implementar essa rede social e qualquer outra ferramenta que seja útil para que as pessoas que se interessam por política possam se expressar facilmente e postar informações úteis sobre nossos dirigentes (quando escrevo dirigente e penso nas pessoas que comandam este país, me sinto como se estivesse diariamente em uma dessas vans que ajudam a trasformar o trânsito em um caos e são dirigidas, freqüentemente, por alopradros inconseqüentes).

Em termos de rede social, o Github é bom porque implementou adequadamente as funcionalidades da rede social, mas também porque tais funcionalidades são esteticamente atrativas. Ter um design elegante é fundamental. Se isso é crítico no Github, imagine o quanto é crítico para um site que trata de chatice, quero dizer, de política!

Então, resumindo, aqui estão as duas primeiras partes da minha idéia: uma rede social focada em trazer informações relevantes sobre os políticos, com uma interface visual bastante atrativa. Isso é um bom começo, mas não basta.

Denúncia anônima

Uma coisa que sempre me pareceu muito importante em termos de segurança pública é o conceito da denúncia anônima. Acredito que ele poderia ser bem utilizado no que se refere à política. Hoje em dia, é comum a gente ver notícias nos jornais sobre corrupção etc. É bem provável que parte destas notícias tenham se originado em denúncias anônimas. Mas, só Deus sabe quantas coisas são denunciadas e nunca chegam ao nosso conhecimento. Jornais são bacanas, mas estão longe de ser imparciais. A imprensa tem uma agenda a ser cumprida. Às vezes ela está alinhada com os interesses da população, às vezes não. Em outras palavras, imprensa imparcial não é exatamente um conceito no qual eu acredite. Mas, voltemos à questão da denúncia anônima.

Tem um monte de político corrupto por aí. Mas, eles não vivem sozinhos. Vivem na sociedade e convivem com outras pessoas que não são necessariamente corruptas. De fato, se pensarmos no próprio Congresso Nacional, por mais que aquele lugar seja um antro de parasitas, provavelmente nem todos os que estão ali têm má índole. Não falo pelos políticos em si, pois acho que estes não têm muito jeito, mas penso nas pessoas que trabalham lá. Talvez sejam funcionários de gabinetes, cozinheiros, porteiros, administradores, ascensoristas, enfim, inúmeras pessoas que trabalham com políticos, mas não são políticos e nem necessariamente corruptos. Ainda assim, estão suficientemente perto dos políticos para, eventualmente, saber de coisas que nós, aqui de longe, não sabemos.

Agora, imagine se essas pessoas resolvessem, voluntariamente, vigiar os salafrários e reportar o que andam fazendo. Bem, talvez eles até queiram fazer isso, mas, convenhamos, iriam reportar para quem? De que maneira? Com que perspectiva de ser escutado? Enfim, minha pergunta é: o que essas pessoas fariam se tivessem as ferramentas certas? O que elas fariam se denunciar anonimamente, para uma entidade relevante, fosse fácil, simples, rápido e efetivo?

O que os cidadãos comuns fariam se lhes fossem dadas as ferramentas certas para denunciar? Acredito que estamos caminhando para um mundo em que transparência será a norma. Isso me dá esperanças de que a política brasileira melhore com o tempo, por uma questão básica de transparência. E nós temos como ajudar a criar os mecanismos para isso acontecer. Nós, desenvolvedores, mais do que ninguém.

Há dois aspectos importantes na questão da denúncia: a ferramenta e a entidade para a qual denunciar. Para mim, esta entidade não pode ser a imprensa. Na minha opinião, o ideal seria algo inspirado no Wikipedia, que é consultado por todos, pode ser produzido por todos, mas tem a qualidade de suas informações sendo controlada por muitos.

O Wikipedia é, para mim, a prova concreta de que podemos melhorar as coisas introduzindo um ferramental adequado. O Wikipedia hoje concentra uma boa parcela de todo o conhecimento humano. Onde este conhecimento estava antes de ir parar no Wikipedia? Na cabeça de cada pessoa. No momento em que se criou a ferramenta certa, este conhecimento passou a aparecer nela também. É como se alguém tivesse criado uma esponja gigantesca que, de uma hora para a outras, absorvesse o saber de inúmeras pessoas.

Imagine se conseguíssemos fazer algo assim para a política. Seria um enorme repositório de informações produzidas por quem estivesse interessado em contribuir e acessada por todos, inclusive a impressa. E, neste aspecto, não poderíamos deixar de falar de feeds RSS.

Feeds RSS e comentários

Uma outra coisa legal do Github são os feeds, que nos permitem saber o que está acontecendo. Imagine se houvesse um feed, em um site, que nos permitisse saber tudo o que está sendo feito pela pessoa na qual votamos na última eleição. Ou seja, imagine que houvesse uma página voltada exclusivamente para este político e que fosse sendo atualizada freqüentemente. Cada atualização seria refletida nos feeds, o que seria ótimo para acompanhar. Mas, não é tudo. Suponha também que cada "notícia" nova pudesse receber comentários. Mas, não comentários como o que vemos no site do O Globo, por exemplo, onde o design é péssimo e nada convidativo. Suponha que tivéssemos um ótimo design, que fizesse as pessoas realmente contribuir de maneira útil, sobretudo cobrando explicações e/ou ações do político. Bem, posso estar enganado, mas acho que uma das pessoas que iria assinar o feed desta página seria o próprio político ou algum de seus assessores.

Há este conceito no mundo do desenvolvimento ágil que é essencial: feedback. Acho que os políticos precisam ter feedback claro e rápido sobre suas ações. Acho que eles ponderariam melhor sobre suas decisões, e respectivas falcatruas, se percebessem que seus atos são rapidamente refletidos em um canal público movimentado e de armazenamento permanente. Aliás, este é um mal da imprensa. A notícia que é bombástica hoje, amanhã já terá sido substituída pela próxima novidade. Mas, em um site, isso não tem que ser assim.

O conceito dos feeds poderia ser ótimo para acompanhar os políticos, mas também para monitorar projetos relevantes. Por exemplo, as pessoas querem saber a quantas anda a questão da expansão do Metrô e respectivas liberações de recursos? Ótimo. Por que não ter uma página sobre este projeto e um feed para os interessados monitorarem o que está acontecendo?

Bom, o post já está para lá de longo e naturalmente não há espaço aqui para expressar todas as idéias que poderíamos colocar em um site sobre política. Mas, em resumo, acho que a comunidade de desenvolvimento de software pode dar uma contribuição significativa para o futuro deste país se decidir voltar sua atenção para criar ferramentas que ajudem a expor o trabalho dos políticos, bem como as licitações, projetos governamentais e outros tópicos que, em última análise, afetam a todos nós.

Eu perdi a crença nos políticos desta nação há muito tempo, como provavelmente é o seu caso. Mas, por mais que não gostemos e não confiemos neles, a verdade é que somos afetados por eles. Acho que votar conscientemente é importante, mas não é suficiente. Até por que, votar em quem, se praticamente só tem pilantra? Acho que o problema não está no que acontece nas eleições, mas sim o que se passa nos quatro anos que separam uma eleição da outra. Se nós conseguirmos criar os mecanismos de fiscalização, através de uma plataforma de software, para que cada cidadão possa informar o que sabe e todas as pessoas possam consultar, e se conseguirmos fazer os políticos perceberem que estamos antentos a cada passo deles, talvez consigamos influenciar positivamente suas ações. Este não seria um projeto de curto prazo, bem como suas conseqüências não seriam sentidas da noite para o dia, mas aqueles que têm filhos talvez possam ajudar a construir um Brasil melhor para eles, se começarem, hoje, a fazer alguma coisa a respeito: escrever software!

Tags  | 33 comentários

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Comentários (33 até o momento)

  1. Fabio Nascimento disse 26 minutos depois:

    Excelente post.

    Aonde eu assino ?

  2. Guilherme Chapiewski disse aproximadamente 10 horas depois:

    Muito bom :)

    Se eu tivesse saco de escrever sobre política certamente ia pensar em fazer o kick-off desse projeto.

    Acredite ou não, uma das poucas coisas que assisto na TV é a propaganda eleitoral. Eu gosto de saber quais são os políticos menos piores ou mais promissores e por isso também que eu estava procurando o tal site com currículos, ficha criminal e histórico político dos candidatos.

    Tinhamos que fazer essa idéia chegar em pessoas que gostem de escrever sobre política. Eu nem me importaria de trabalhar totalmente de graça pra fazer o site, desde que houvessem pessoas (idôneas) para escrever nele.

    E por último, tem um risco nisso tudo que teriamos que pensar em como resolver: e se os próprios políticos conseguissem que pessoas escrevessem bem sobre eles e mal sobre os outros, manipulando as informações do site?

    [ ]s, gc

  3. Vinícius Manhães Teles disse aproximadamente 10 horas depois:

    Oi, Guilherme.

    Para dizer a verdade, acho que já temos as pessoas certas para começar isso: o próprio pessoal do TrasparênciaBrasil. Eles estão escrevendo sobre o assunto e tentando expor os corruptos há oito anos. Eles poderiam ser os moderadores iniciais deste projeto. Com o tempo, poderiam trazer outras pessoas nas quais também confiassem, as quais também trariam outras confiáveis e assim por diante.

    Acho que é possível fazer isso, desde que haja um ponto de partida. Novas pessoas seriam acolhidas, como moderadoras, em função do mérito e da confiança que o grupo inicial demonstrasse nelas. Com o passar do tempo, mais e mais pessoas fariam parte, como moderadores e assim, quem sabe, poderíamos evitar o risco que você levantou.

    Grande abraço, Vinícius.

  4. André Luiz Kupkovski disse aproximadamente 11 horas depois:

    Excelente idéia.

    O Site transparenciabrasil é muito rico em informações. Descobri, por exemplo, que um deputado lá da minha querida Guarapuava/PR está sendo investigado por compra de votos... ehehe.

    Eu apóio totalmente essa iniciativa, e tô dentro pra botar a mão na massa e ajudar na construção desse site :D

  5. Robson Mendonça disse aproximadamente 11 horas depois:

    Ae, dou o meu apoio a idéia, e se precisarem de uma mão com xhtml, css e webstandards, essa é minha especialidade.

    Falow!!

  6. Ricardo Niederberger Cabral disse aproximadamente 12 horas depois:

    É uma boa ideia sim mas descordo de alguns argumentos que você usou, como por exemplo dizer que pessoas participariam de tal rede social ou portal colaborativo de transparência só porque na criação desse site o design foi dada mais atenção ao design. O problema de maior transparência e participação popular numa iniciativa dessa é muito mais cultural/social do que tecnológico. Digo, 10% da solução é tecnológico (e de fato essa parte ainda falta ser resolvida e é pre-requisito). Os outros 90% - a parte social - que vai levar as pessoas a de fato acompanharem esse site e participar é bem mais complicada.

    Dito isso, para os 10% acho que algo baseado no http://www.ning.com/ evitaria mais uma reinvenção da roda.

  7. Bruno disse aproximadamente 12 horas depois:

    Eu assim como o Guilherme, detesto política, exatamente pela descrença que você citou. Hoje em dia não votamos no melhor candidato, mas no menos pior, infelizmente.

    Concordo que temos e devemos fazer algo, minha preocupação é a mesma do Guilherme, deste grupo de pessoas que escreveriam sobre política, deveríam ser moderadores do BOPE, pessoas impossíveis de ser corrompidas. e consequentemente que nao deturpassem a informação.

    Todos temos o tempo curtíssimo, e eu tb no que puder ajudar me disponho a inserir as linhas de código do pouco que sei nesse projeto.

  8. Bruno disse aproximadamente 12 horas depois:

    Desculpem se eu soar inconveniente, mas... Acho que não vale a pena o esforço, não. Temos problemas muito mais profundos do que algo que possa ser resolvido com eleições. Sério mesmo.

    Já pararam para aplicar os "5 porquês" nessa questão ("por que o estado brasileiro é uma merda?")?

    Ao me ver, a raíz dos problemas é o nosso sistema de governo centralizado demais. Notem, governo centralizado é algo que não deu certo em lugar nenhum no mundo (nas proporções do nosso país). Há muitos, muitos problemas inerentes a esse tipo de governo - estamos todos aqui presenciando as consequências. E isso não é coisa que vá ser mudada com voto.

    Então... Se é pra fazer algo de útil, melhor tentar iniciar uma revolução - isso, claro, se é que se importam tanto assim.

  9. Vinícius Manhães Teles disse aproximadamente 13 horas depois:

    @Ricardo:

    Este é um típico problema Tostines: as pessoas participam menos devido à falta de ferramentas adequadas ou o fato de as pessoas não participarem leva à não criação de boas ferramentas? :)

    Seja qual for a resposta, sinceramente, na minha opinião isto não é nenhum impedimento. Digamos que apenas 1% da população resolva participar. Isso seria insuficiente para fazer alguma diferença, certo? Errado.

    Acho que nós ainda não nos demos conta do quanto a internet está mudando as coisas e do quanto ela nos ajuda a ter poder de maneira desproporcional. É mais fácil entender o que estou dizendo vendo este post do Rafael de onde eu tirei os vídeos abaixo. Assista os dois para entender.

    http://www.youtube.com/watch?v=Ei6JvK0W60I
    http://www.youtube.com/watch?v=odI7pQFyjso

    O Greenpeace é minúsculo. O grupo de pessoas que atua lá é irrisório e representa uma parcela ínfima das pessoas que habitam este planeta. Apesar disso, este pequeno grupo, ao lançar o vídeo em resposta ao vídeo da Dove, conseguiu mexer com a gigante Unilever. Por que? Dê uma olhada na quantidade de pessoas que viram o vídeo (mais de meio milhão no momento em que escrevo este comentário) e pense em como a Unilever ficou assustada ao se dar conta de que sua imagem estava indo para o ralo rapidamente.

    Se você prestar atenção, vai notar que neste episódio, a existência de uma ferramenta como o YouTube foi de extrema importância. De nada adiantaria o Greepeace ter feito o vídeo e ninguém ver. Mas, as pessoas viram. Por que? Porque não só foi fácil colocar o vídeo no YouTube, como também foi fácil para as primeiras pessoas que viram repassar para outras, que passaram para outras, que passaram para outras e assim por diante. É o poder desproporcional que a internet está ajudando a criar!

    Acho que nós precisamos acordar rapidamente para este poder e começar a agir. Hoje, com o ferramental que já existe e aquele que nós podemos ajudar a criar, há muito o que possamos fazer.

    Grande abraço, Vinícius.

  10. Pedro Teixeira disse aproximadamente 14 horas depois:

    tô dentro.

    de quebra, ainda podemos lançar uma frente no opensocial (-> orkut) para facilitar a participação da comunidade.

    a primeira eleição é 5 de outubro.. tá bem em cima. mas conheço muita gente que gostaria de contribuir! pq de fato, a esperança para humanidade está na razão e no progresso científico/tecnológico.

    ps: a vantagem do google code é que tem group, wiki, e issue track imbutido. (e o git-svn funciona até bem :p)

  11. Bruno Oliveira disse aproximadamente 15 horas depois:

    Desculpe a sinceridade Bruno, mas se é pra acreditarmos que tudo vai ser uma merda, e nada vai mudar, logo nós que fazemos parte do que hoje sustenta o mundo, que é a tecnologia.

    É melhor então acreditar na teoria do big bang e esperar pelo fim novamente, muita coisa já mudou desde então, antes vivíamos em uma ditadura, hoje democracia. Antes pegávamos em armas pra se fazer uma revolução, hoje disponilizamos um sistema onde as pessoas são capazes de registrar a corrupção e fazer upload do vídeo.

    http://br.youtube.com/watch?v=Ox82VrJ6Qto

    De que isso adiantou? Pra nada? O cara ta preso até onde sei, acho extrema alienação acreditar na ineficiencia de tudo, e vivermos nossas vidinhas até chegar o dia de morar debaixo de 7 palmos.

    Um abraço.

  12. Rafael Lima disse aproximadamente 16 horas depois:

    Parabéns pela idéia, realmente bem interessante.

    Vejo esta ferramenta sendo utilizada por fã-clubes e bandas ou fofoqueiros e artistas.

    Não sei de cara como viabilizar e como ficaria o mkt disso, se tiver alguma idéia e grito..

    Abs

  13. Vinicius Braga disse aproximadamente 19 horas depois:

    Parabéns pessoal pela coragem de expor suas idéias.

    Acredito que não é necessário criar uma ferramenta para isto. Elas já estão aí disponíveis. O que realmente precisa é o cidadão consciente e organizado em grupo ( devidamente amparado pela lei em suas afirmações e com advogados atentos).

    Os nossos políticos não são os mais "corruptos" e "salafrários". Em outros países, eles são corruptos, salafrários, covardes, assassinos, genocidas, e promotores da destruição de outros povos e culturas, para benefício de sua economia e indústria.

    No Brasil, não existe este perfil de político, a não ser em um exagero de palavras e efeito, como é comum se encontrar por aí e muitos repetirem sem pensar, mas isto é comum e já sem efeito.

  14. Bruno Zanchet disse aproximadamente 19 horas depois:

    Não não não. Não me entenda mal.

    O meu ponto é que esse tipo de campanha visa combater uma consequência, e não uma causa.

    • "Por que o estado brasileiro é uma merda?"
    • Porque "só tem pilantra".

    • "E por que 'só tem pilantra'"?

    • Porque as pessoas votam mal e/ou não fiscalizam.

    Só acho que cabe seguir perguntando mais alguns porquês. Porque votarem errado não é a causa dos nossos problemas (tampouco votar "certo" seria solução).

    No mínimo, a discussão fica mais interessante.

  15. Paulo Brito disse aproximadamente 20 horas depois:

    Interessante, mas há uma diferença fundamental entre o greenpeace e este projeto: as pessoas se sentem incomodadas quando alguém lembra que elas deveriam se preocupar com a natureza!

    Com política é o contrário. Ninguém tá nem aí e assume isto abertamente. Não dá pra confiar em político e pronto. Dito isso, o que adiantaria uma ferramenta para mostrar que eles realmente não são confiáveis?

    Além do nosso ligeiro probleminha de índole, ainda somos criados para a camaradagem. Aposto que a imensa maioria das pessoas vota em quem se afeiçoam. Não é nem questão de confiança na sua capacidade, é algo meio tribal. Escolhemos um candidato como um cachorro que escolhe o líder do bando. Talvez algo mais emocional, como uma paixão - no sentido mais técnico da palavra -, ou como nosso time de futebol. Não há aí nenhum componente lógico e racional.

    Junte-se a isso o que há em um dos comentários: uma alta taxa de contaminação na participação por aliados de cada político, caso a idéia realmente vingue.

    Na minha opinião ainda é mais eficaz - em termos de tempo, inclusive - uma mudança de postura individual, o que serviria de exemplo para os que nos cercam, incluindo-se aí os nossos filhos.

    NA minha opinião, essa idéia me parece mais uma daquelas "cada um que mude a pessoa ao seu lado", ao invés de "cada um mude a si mesmo". Vemos muito isso no mundo do Linux. Muita gente escolhe o Linux, mas raramente consegue que o outro o escolha!

  16. Witaro disse aproximadamente 20 horas depois:

    Grande Vinicius, antes de qualquer coisa admiro sua disposição. Uma das coisas que me incomoda é o fato das pessoas não verem que todos praticamos política. Ocorre quando além de nos preocuparmos/agirmos sobre o próprio bem estar, nos preocupamos/agimos sobre o bem estar de um coletivo (grupo, família, comunidade, bairro, cidade, estado, país, mundo, etc). Na minha opinião, o que é melhor pra mim é aquilo que é melhor pra mim e para meu em torno (sem "ou", falo de ganho mútuo). Desconsiderar o ambiente onde se está inserido e pensar apenas em si chega a ser burrice, é como construir uma mansão no meio de uma favela (Da mesma forma, o extremo de pensar apenas no coletivo, vide comunismo). Como posso viver bem se quem mora comigo não? Como posso viver bem se apenas eu sigo princípios agéis no meu grupo de trabalho? E assim vai se estendendo. Uma vida boa envolve viver num trabalho, bairro, cidade, estado, país que sejam bons de se viver e para isso vale a pena nos unir. Não, não quero apenas mudar de emprego ou país. Quero ser parte da solução, quero responder à adversidade, não fugir dela. E assim aprender com ela, e aprendendo/ensinando é que transformamos as coisas. Não é uma luta fácil, pois antes de transformar o em torno eu preciso me transformar. Ser um exemplo é a melhor forma de se ensinar algo. Desenvolvendo meu potencial. Agindo com ética e responsabilidade. Não me omitindo. Ajudando. Parece complicado? Quando algo não é fácil de entender é comum querermos ignorar, talvez por isso chamem analfabetos de ignorantes. Educação não deveria ser vista apenas no plano racional, mas também no emocional. Ganhamos e aprendemos muito com o "Open Source". Imaginem então com o "Open Mind" e o "Open Heart". Se eu for útil, estamos aí.

  17. Leandro Mello disse 1 dia depois:

    A idéia é grande!

    Prazo nós já temos: as próximas eleições para presidente. Aí tem tempo pra um grupo corajoso de programadores experimentar à beça.

    Sabe, os políticos (e um bocado de gente comum por aí) estão mal acostumados com uma época em que se podia viver sem medo de ser pego por fazer besteira. Os tempos são outros. A transparência que vai dominar o futuro vai mostrar que compensa bem mais viver a vida com integridade e honestidade — e vai punir (no mínimo com uma ostensiva queimação de filme) aqueles mal acostumados que insistirem em viver à base do “jeitinho” e da canalhice.

    O poder de mudar as coisas para melhor está vindo para nossas mãos. E eu quero agarrar esse poder também. Quando o projeto tomar corpo, contem comigo para as mágicas no CSS.

  18. Rafael disse 1 dia depois:

    Pra quem fala que não adianta porque ninguém vai participar: muito ajuda quem não atrapalha. Os pessimistas só são uteis quando o projeto já tá pronto.

    E acho sim que uma ferramenta faz muita diferença. Usar os conceitos de "web2.0" pra "vigiar" os políticos é uma baita idéia bacana.

    Mas sua idéia é melhorar esse transparencia.org ou criar uma coisa nova?

  19. Henrique Bastos disse 2 dias depois:

    Parabéns pelo post Vinicius! Sensacional a idéia.

    Fiz uma proposta de meme no meu blog para fomentar o debate. Convido todos a deixarem suas opiniões.

  20. Fernando Boaglio disse 2 dias depois:

    A iniciativa da Transparência Brasil juntamente com a da Associação dos Magistrados Brasileiros ( que fez o banco de dados de políticos que respondem processo - http://www.amb.com.br/?secao=listacandidatos) mostra algo muito positivo: o povo está de olho no que acontece em Brasília. E de nada adianta criticar a política se você é um daqueles que adora tomar vantagem em tudo, desde tentar molhar a mão de um guarda para evitar uma multa até deixar de devolver um troco a mais. Se você se encaixa nesse perfil, como político seria tão corrupto como os atuais.

  21. BrunoPedroso disse 2 dias depois:

    Tô dentro. Já havia pensado nisso antes. O transparênciabrasil tem muita informação boa, mas a usabilidade é péssima.

    Acho que melhorar o design (não só o gráfico) teria uma influência absurda na quantidade e na qualidade da participação.

    O bom do open-source é isso: quem acha que vale a pena colabora, quem não acha não colabora. Depois de pronto, vemos quem estava certo.

    Contem comigo. Já criaram o projeto no github?

  22. Bruno Oliveira disse 2 dias depois:

    E então capitão nascimento, vamos por essas idéias em prática?

  23. Vinícius Manhães Teles disse 2 dias depois:

    @Bruno Oliveira:

    Vamos botar em prática sim, mas, da minha parte, só vou dar prosseguimento quando tivermos um "cliente". O que quero dizer é que a gente precisa que alguém na outra ponta também se envolva nisso. Pode ser alguém do TransparênciaBrasil, por exemplo.

    A gente não entende suficientemente de política e combate à corrupção para decidir o mais importante: o que deve ter no software. Não faço software sem o envolvimento de alguém com conhecimento do domínio. Seria perda de tempo.

    Então, vamos levar a idéia adiante e tentar atrair alguém que conheça o assunto para participar no lado "cliente" da iniciativa. Assim que tivermos isso, podemos começar.

    Grande abraço, Vinícius.

  24. /dev/null disse 2 dias depois:

    Rapaz, não botei muita fé na idéia não...

    O primeiro ponto a destacar é que o anonimato é vetado constitucionalmente. Se a Transparência Brasil começa a publicar informaõçes anônimas, provavelmente fica juridicamente fragilizada. Isso por si só já inviabilizaria o aninimato.

    Mas o problema é mais a questão de que conteúdo vai ser produzido. Eu duvido muito que alguma informação relevante saia de uma caixa de comentários anônimos. Não sou contra projetos colaborativos; pelo contrário sou editor ativo da Wikipédia, mas sei que há diferenças gritantes entre os modelos. Um monte de comentários anônimos dificilmente acrescentaria algo ao que o pessoal mais treinado da Transparência Brasil conseguiria fazer; ademais, se é para denunciar algo, melhor que se faça com mais discrição.

    Além disso, não creio que o site da Transparência Brasil seja um problema tão sério. A população usa e abusa de sites muito piores. Não vai ser uma mudança de interface que vai trazer a mobilização.

    (Claro que melhorar o site é sempre uma boa, e se o pessoal da Transparência Brasil quiser, desejo-lhes boa sorte)

    De resto, acho que sua proposta sem ofensas, já está errada desde a motivação. Política não é uma coisa chata ou difícil: a política que você vê nos jornais e portais é. Tão importante quanto saber quem faz o que de errado, para um melhor país acredito que é importante que as pessoas tenham conhecimentos básicos de Economia, História e Política (como disciplina, não como factóide em jornais). Vide Paulo Maluf, que se reelege apesar de ser o avatar da corrupção...

    Sugiro que invistam seus esforços em aprender coisas mais relevantes e prover melhor conteúdo em áreas mais gerais. Prover melhores informações sobre escândalos localizados é como ensinar ferramentas (e.g. VB, PHP, Java etc.) no lugar de lógica de programação: é um conhecimento superficial e volátil. Mais importante é dar ferramentas cognitivas à população para que entenda cada um desses esândalos.

    Mas, enfim, posso estar errado. Se forem levar o projeto em frente, desejo-lhes boa sorte e, enfim, torço para estar enganado, já que um país melhor é do meu interesse, não importa como :)

    Até!

  25. BrunoPedroso disse 3 dias depois:

    De Bruno Pedroso para tbrasil@transparencia.org.br

    Olá,

    Estou escrevendo para informar sobre uma potencial iniciativa voluntária de um grupo de (grandes) desenvolvedores de software brasileiros, que está disposto a colaborar (muito) com uma restruturação técnica e tecnológia do site de vocês.

    A iniciativa está mobilizando boa parte da comunidade, e ao que parece o próximo "ponto de alavancagem" para a iniciativa seria o envolvimento e o apoio da sua organização.

    Por favor, leiam mais a respeito em (...)

  26. Vinícius Manhães Teles disse 3 dias depois:

    @Bruno Pedroso:

    Muito obrigado. Eu já havia enviado um email para eles, mas quanto mais gente enviar, melhor. Provavelmente eles devem ter uma série de afazeres e talvez não tenham tido tempo de olhar ainda. Mas, se vários de nós começarem a entrar em contato, possivelmente vão acabar dando atenção. Tomara!

    Vai ser bem legal quando conseguirmos envolver pessoas que entendem bem mais deste assunto do que nós!

    Grande abraço, Vinícius.

  27. Flavio Souza disse 26 dias depois:

    Excelente idéia. Gostaria de poder participar. Acredito que a idéia de acompanhamento das ações políticas já seria um começo.

  28. Fabiano Angélico disse aproximadamente 1 mês depois:

    Caro Vinícius, sou coordenador de projetos da Transparência Brasil. Muito bacana a iniciativa. Creio que podemos conversar, sim. Vamos fazer isso depois das eleições? É que nesse época é muito corrido aqui. Como um primeiro passo, sugiro que você recolha os emails dos voluntários e me envie. Vocês passarão a receber o material produzido pela TBrasil. Isso servirá até para que vocês tenham uma idéia melhor de como trabalhamos. Abraços

  29. Vinícius Manhães Teles disse aproximadamente 1 mês depois:

    Olá, Fabiano.

    Muito obrigado pelo contato! Podemos conversar após as eleições, será uma satisfação.

    Enviarei os emails dos interessados para: tbrasil@transparencia.org.br. Tudo bem?

    Grande abraço,

    Vinícius

  30. Fabiano Angélico disse aproximadamente 1 mês depois:

    Vinicius, escreva para fangelico@transparencia.org.br

  31. Elizabeth Silva disse aproximadamente 1 mês depois:

    A idéia é excelente e quero apoiar esse projeto. Vejam bem, em se tratando de desenvolvimento do site não podemos abrir mão da qualidade. Terão meu total apoio quanto à qualidade do produto (testes funcionais, usabilidade, carga, etc). Afinal, um site mal testado (ou não testado) mostra um monte de erros que gera a falta de credibilidade no próprio conteúdo. E isso é o que mais deve ser evitado, não é?

    Então, podem me incluir nessa equipe que não acredita em papai noel, mas acredita que podemos juntos tentar melhorar nosso país.

    Um grande abraço e aguardo retorno.

  32. Só disse 5 meses depois:

    Apoio completamente em todos os ítens, inclusive quero comunicar-lhe que dentro das possibilidades eu mesma participo voluntariamente de investigações secretas aquí no meu estado e denuncio bastante. Confesso que gostaria de denunciar tudo que sei, más denuncio tudo que posso. É que se for muito radical não sobrará ninguém. Através das minhas denúncias, conseguir muitas vitórias aquí, como exemplo a licitação de privatização da companhia de água e esgoto do estado, consegui embargar e só uma cidade do estado foi privatizada, agora a pouco conseguimos trocar o Comandante Geral da PM , e outros, agora resolvi que vou entrar pra política para poder melhor atuar, e conto com o apoio de todos.

  33. Bruno Linhares disse 11 meses depois:

    Grande idéia! O potencial de uma plataforma como esta, desde que devidamente lapidada para ser atrativa e intuitiva é enorme. Apesar de ser desenvolvedor iniciante, gostaria de ajudar, nem que seja como testador.

    Como faço para ficar informado?