Publicado por Vinicius Manhães Teles há
aproximadamente 1 ano.
Há pouco mais de um mês eu e minha esposa fomos a uma festa onde encontramos com um velho amigo em comum, Bruno Siqueira. Embora o Bruno, minha esposa e eu tenhamos todos formação na área de TI, nós nos conhecemos em outro contexto completamente diferente: a dança de salão. Então, raramente conversamos com o Bruno sobre Informática. Porém, dessa vez acabamos falando um pouco sobre isso e fiquei sabendo que ele tinha saído, há pouco tempo, de uma empresa que implantou ISO, MPS.BR e CMMI. Hoje em dia ele trabalha com Scrum. Uma mudança significativa que, obviamente, merecia ser discutida em um novo Improvecast.
Nessa entrevista, Bruno afirma que aprendeu bastante com os modelos de qualidade, mas depois de ter a oportunidade de trabalhar com Scrum, acredita que está obtendo resultados iguais ou superiores ao que tinha antes, porém com maior velocidade e muito menos esforço. Se depender dele, modelos de qualidade, tais como o que ele tinha que usar no passado, permanecerão sendo apenas parte do seu passado.
Esses foram alguns dos assuntos tratados no Improvecast 17:
Você trabalhou durante alguns anos em uma empresa que passou pela implantação da ISO, MPS.BR nível F e CMMI nível 3. Na sua opinião, o que motivou a empresa a buscar essas certificações?
Quando você foi trabalhar nessa empresa, qual era o tamanho da equipe de desenvolvimento?
O que você identificou de diferente na implantação do CMMI, em relação ao MPS.BR?
Qual a sua visão sobre a avaliação do CMMI? O que você observou?
Quais os benefícios, para a empresa, que você identificou com a implantação desses modelos?
Quais os benefícios, para você, como desenvolvedor?
Como eram tratadas as mudanças nesses modelos?
O avaliador tem que ser um exímio desenvolvedor de software para se tornar um avaliador?
Modelos como o MPS.BR e o CMMI são complexos. Desenvolvimento de software, pela sua natureza, já é uma atividade bastante complexa. É correto tentar atacar essa complexidade intrínseca com mais complexidade?
Você enxerga alguma situação em que modelos de maturidade como esses sejam realmente válidos?
Recentemente, Marcos Pereira, desenvolvedor de software do Recife, nos concedeu um depoimento sobre a implantação do MPS.BR na empresa em que trabalha. Entre outras coisas, ele relatou:
Dezoito meses gastos para obter o nível G.
Pouca ou nenhuma participação dos desenvolvedores.
Dezoito meses com grande preocupação com o processo, muito artefato para alimentar o processo, porém na visão dele, pouca contribuição para desenvolver software melhor.
Outra coisa que ele observou é que quem define o processo não vive as conseqüências dele.
Além disso, quem tem que seguir o processo, conhece pouco dele, portanto, sente dificuldades em propor melhorias.
Ele também relatou que houve alta rotatividade dos desenvolvedores durante a implantação do MPS.BR. Ou seja, o MPS.BR, ao menos na empresa dele, não ajudou a reter pessoas.
Dificuldade e lentidão para incorporar mudanças.
Ele se queixou de que o processo não era voltado para tratar do aspecto humano do desenvolvimento. Segundo ele, o objetivo era sempre alimentar o processo, ao invés de alavancar o potencial das pessoas.
Comitê formado por gerentes e pessoas da área de qualidade. Não havia desenvolvedores envolvidos. Pouquíssima participação dos desenvolvedores ao longo da definição do processo.
Burocracia impele as pessoas a não mudarem de rumo. Então, como atingir qualidade? Na Toyota, por exemplo, qualidade é obtida através de melhoria contínua, ou seja, milhões de pequenas mudanças sendo feitas continuamente. Mas, que incentivos as pessoas têm para mudar em um ambiente considerado burocrático?
Você também teve essas percepções trabalhando com esses modelos de qualidade?
Por que você saiu da empresa que usava os modelos de qualidade?
Agora que você está no Tecgraf, trabalhando com Scrum, quais as principais diferenças?
Publicado por Vinicius Manhães Teles há
aproximadamente 1 ano.
É cada vez mais comum discutirmos sobre as diferenças e semelhanças entre abordagens ágeis de desenvolvimento de software e outras mais tradicionais, tais como o MPS.BR e o CMMI. Entretanto, poucas pessoas tiveram a chance de vivenciar os dois mundos para poder relatar o que aprenderam com cada abordagem.
Clavius Tales, Diretor de Desenvolvimento da Fortes Informática, é uma dessas poucas pessoas. Ele participou ativamente do processo de implantação do MPS.BR na Fortes Informática. Segundo ele, sua empresa colheu ótimos frutos da utilização dos conceitos trazidos pelo MPS.BR. Entretanto, depois que sua equipe adotou o Extreme Programming, os ganhos foram ainda maiores. Por conta disso, a empresa substituiu as práticas do MPS.BR pelas do Extreme Programming com excelentes resultados.
O relato do Tales acaba de ser publicado no Improvecast 16 que, devido ao tamanho, foi dividido em duas partes.
Esses foram alguns dos assuntos tratados no podcast: