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Em busca do equilíbrio

Publicado por Vinicius Manhães Teles há 12 meses.

Uma vez vi um filme chamado Drumline, a respeito de competições de bandas escolares nos EUA. É um filme excelente, embora o tópico possa fazê-lo parecer pouco interessante à primeira vista.

Há um rapaz (baterista) que toca magnificamente bem, entra na banda e tenta se destacar rapidamente. O modo como faz isso, lhe parece coerente, por ser tão talentoso, mas o resultado é exatamente o oposto do que espera. O treinador tenta lhe mostrar que em uma banda, assim como em um coral e em tantas outras equipes, o que importa é o equilíbrio e a harmonia do conjunto. O desempenho individual, ainda que excepcional, não pode se sobrepor ao funcionamento harmônico do conjunto, senão ele atrapalha, ao invés de contribuir. Abaixo uma breve cena que ilustra o assunto do filme. E prometo que já no próximo parágrafo explico porque o menciono.

Equilíbrio é o grande desafio. É assim na vida, de um modo geral, e no desenvolvimento de software, em particular. Quando nós treinávamos equipes para trabalhar com XP, buscávamos o equilíbrio e o funcionamento harmônico delas. Agora, com nosso produto, o Be on the Net, essa mesma busca continua, porém em um contexto diferente.

Aspectos de um site

Um site tem pelo menos três aspectos básicos: conteúdo, estética e funcionalidade. O conteúdo responde à pergunta: o que há naquele site? A estética cuida da questão: como está apresentado o que lá se encontra? E a funcionalidade dá a resposta para a última indagação: o que posso fazer neste site?

Assim como o baterista da banda não é mais, nem menos importante que o trompetista, conteúdo, estética e funcionalidade são todos igualmente importantes em um site. Mas, infelizmente, quem faz site frequentemente se esquece, ou não se dá conta disso.

Tem gente que faz site com muito conteúdo, mas feio que dói. Aí o site acaba sendo menos usado do que deveria, porque não é atraente. É o caso, por exemplo, da Transparência Brasil. Lamentavelmente, tem muito conteúdo útil, mas não atrai.

Outras pessoas se concentram tanto na estética, que deixam o conteúdo de lado. Colocam inúmeras animações, efeitos especiais dos mais diversos, mas quando você espreme o site para ver se dá um caldo, não sai nem uma gota. Veja esse exemplo magnífico.

O foco excessivo na estética, que deixa todo o restante de lado, parece endêmico, particularmente entre sites de fotógrafos. A maioria é feita em Flash, tem animações para todos os lados, efeitos especiais, música e tudo, mas navegar pelas fotos do profissional é uma dificuldade só. As poucas fotos que lá estão, frequentemente são minúsculas e praticamente nunca são atualizadas. Falta substância, sobra frustração.

Finalmente, há sites que são extremamente úteis, mas possuem uma estética nada rebuscada. Alguém aí entrou no Google recentemente? A utilidade é monstruosa, mas a estética é simples. Neste caso, há que se fazer uma ressalva. Apesar de simples, a estética minimalista do Google é extremamente apropriada para o propósito do site.

Como se pode ver, é fácil cair no erro de dar ênfase demais a apenas um aspecto do site, negligenciando os demais. Não cair neste erro é um dos nossos maiores desafios com o Be on the Net.

Equilibrando as partes

Os sites que criamos com o Be on the Net procuram ser ricos em conteúdo. Isso significa que o dono do site pode colocar tantos textos, fotos e vídeos quanto quiser. Mas, isso não é suficiente. O conteúdo tem que ser atual. Por isso, é muito fácil atualizá-lo e acrescentar mais ao longo do tempo.

Na estética, nós usamos puramente CSS, que é mais do que suficiente para fazer sites lindos. Muita gente acha que o único jeito de criar um site bonito é usando Flash, por exemplo. Isso é um erro grave.

Finalmente, na parte funcional, nós buscamos fazer com que tudo funcione da maneira mais padronizada e óbvia possível. Porque quanto mais padronizado, mais as pessoas têm familiaridade e conseguem usar facilmente. Pense no caso da navegação por um álbum de fotos por exemplo. É claro que é possível criar inúmeras formas de navegar por fotos. Mas, não é porque você pode criar uma nova, que você deve fazer isso. Pelo contrário. Se há uma maneira de navegar por fotos que qualquer pessoa seria capaz de usar, então adote-a.

Você pode mudar o conteúdo (as fotos), pode criar uma estética toda exclusiva, mas não precisa e nem deve mexer na forma de usar, quando há uma maneira bem conhecida e disseminada. No caso de fotos, mostre uma lista de álbuns. Quando alguém clicar em um álbum, mostre uma lista de fotos em um tamanho reduzido. Quando alguém clicar na foto, mostre-a em tamanho ampliado e permita que a pessoa avance para a próxima ou volte para a anterior. Pronto! Qualquer pessoa sabe usar isso.

Agora entre em um site de fotógrafo, feito em Flash e prepare-se para aprender. Pois cada um te oferecerá sua própria forma de navegação. Triste, porém mais comum do que se imagina. E o desequilíbrio segue firme e forte.

Infelizmente a web parece estar cheia de bateristas brilhantes, que puxam a sardinha para seu instrumento e negligenciam o restante da banda. Quem paga o pato? Cada um de nós. Afinal, quantas não foram as vezes em que nos frustramos no mar de sites desequilibrados pelos quais navegamos diariamente?

PS: Sim, eu mencionei Flash. Mas, não, este não é um artigo para falar mal de Flash, até porque é apenas uma tecnologia. Minha crítica aqui não é em relação ao Flash, mas de quem faz um site desequilibrado em Flash. Mas, é claro que é possível fazer site desequilibrado usando só HTML, por exemplo. Quer um exemplo dos melhores? Então se prepara e vai para um lugar onde possa rir escandalosamente. Foi? Bem, eu avisei. Veja que beleza. :-)

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