Blog da Improve It 
Publicado por Vinicius Manhães Teles há
mais de 3 anos.
Há pouco mais de um mês eu e minha esposa fomos a uma festa onde encontramos com um velho amigo em comum, Bruno Siqueira. Embora o Bruno, minha esposa e eu tenhamos todos formação na área de TI, nós nos conhecemos em outro contexto completamente diferente: a dança de salão. Então, raramente conversamos com o Bruno sobre Informática. Porém, dessa vez acabamos falando um pouco sobre isso e fiquei sabendo que ele tinha saído, há pouco tempo, de uma empresa que implantou ISO, MPS.BR e CMMI. Hoje em dia ele trabalha com Scrum. Uma mudança significativa que, obviamente, merecia ser discutida em um novo Improvecast.

Clavius Tales, da Fortes Informática, falou, no último podcast, sobre a experiência de ter passado pelo MPS.BR e depois abandoná-lo em prol do XP. Dessa vez é o Bruno que conta como foi deixar para traz ISO, MPS.BR e CMMI. Atualmente, ele trabalha com Scrum no Tecgraf, Grupo de Tecnologia em Computação Gráfica, criado em 1987 em parceria com o Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras).
Nessa entrevista, Bruno afirma que aprendeu bastante com os modelos de qualidade, mas depois de ter a oportunidade de trabalhar com Scrum, acredita que está obtendo resultados iguais ou superiores ao que tinha antes, porém com maior velocidade e muito menos esforço. Se depender dele, modelos de qualidade, tais como o que ele tinha que usar no passado, permanecerão sendo apenas parte do seu passado.
Esses foram alguns dos assuntos tratados no Improvecast 17:
- Você trabalhou durante alguns anos em uma empresa que passou pela implantação da ISO, MPS.BR nível F e CMMI nível 3. Na sua opinião, o que motivou a empresa a buscar essas certificações?
- Quando você foi trabalhar nessa empresa, qual era o tamanho da equipe de desenvolvimento?
- Qual o perfil das pessoas?
- Que tipo de projeto vocês estavam fazendo?
- Que plataforma de desenvolvimento era utilizada?
- Qual foi o primeiro modelo adotado?
- Quanto tempo levou a adoção da ISO?
- Qual era a participação dos desenvolvedores no que se referia à ISO?
- O que é o TABA e para que você o utilizava?
- Qual foi o modelo adotado a seguir?
- Quanto tempo levou a adoção do MPS.BR?
- Qual foi a participação dos desenvolvedores durante o processo de implantação do MPS.BR?
- Em que o MPS.BR afetou a vida de vocês?
- Em que o MPS.BR contribuiu para a melhoria da qualidade dos sistemas.
- Como o MPS.BR afetava a motivação dos desenvolvedores?
- Qual a sua visão sobre a avaliação do MPS.BR? O que você observou?
- Depois do MPS.BR, veio o CMMI, certo?
- Quanto tempo durou a implantação?
- O que você identificou de diferente na implantação do CMMI, em relação ao MPS.BR?
- Qual a sua visão sobre a avaliação do CMMI? O que você observou?
- Quais os benefícios, para a empresa, que você identificou com a implantação desses modelos?
- Quais os benefícios, para você, como desenvolvedor?
- Como eram tratadas as mudanças nesses modelos?
- O avaliador tem que ser um exímio desenvolvedor de software para se tornar um avaliador?
- Modelos como o MPS.BR e o CMMI são complexos. Desenvolvimento de software, pela sua natureza, já é uma atividade bastante complexa. É correto tentar atacar essa complexidade intrínseca com mais complexidade?
- Você enxerga alguma situação em que modelos de maturidade como esses sejam realmente válidos?
- Recentemente, Marcos Pereira, desenvolvedor de software do Recife, nos concedeu um depoimento sobre a implantação do MPS.BR na empresa em que trabalha. Entre outras coisas, ele relatou:
- Dezoito meses gastos para obter o nível G.
- Pouca ou nenhuma participação dos desenvolvedores.
- Dezoito meses com grande preocupação com o processo, muito artefato para alimentar o processo, porém na visão dele, pouca contribuição para desenvolver software melhor.
- Outra coisa que ele observou é que quem define o processo não vive as conseqüências dele.
- Além disso, quem tem que seguir o processo, conhece pouco dele, portanto, sente dificuldades em propor melhorias.
- Ele também relatou que houve alta rotatividade dos desenvolvedores durante a implantação do MPS.BR. Ou seja, o MPS.BR, ao menos na empresa dele, não ajudou a reter pessoas.
- Dificuldade e lentidão para incorporar mudanças.
- Ele se queixou de que o processo não era voltado para tratar do aspecto humano do desenvolvimento. Segundo ele, o objetivo era sempre alimentar o processo, ao invés de alavancar o potencial das pessoas.
- Comitê formado por gerentes e pessoas da área de qualidade. Não havia desenvolvedores envolvidos. Pouquíssima participação dos desenvolvedores ao longo da definição do processo.
- Burocracia impele as pessoas a não mudarem de rumo. Então, como atingir qualidade? Na Toyota, por exemplo, qualidade é obtida através de melhoria contínua, ou seja, milhões de pequenas mudanças sendo feitas continuamente. Mas, que incentivos as pessoas têm para mudar em um ambiente considerado burocrático?
- Você também teve essas percepções trabalhando com esses modelos de qualidade?
- Por que você saiu da empresa que usava os modelos de qualidade?
- Agora que você está no Tecgraf, trabalhando com Scrum, quais as principais diferenças?
- Qual o tamanho das iterações?
- Vocês têm feito as reuniões diárias?
- Vocês têm um quadro com post its?
- Então trata-se de uma equipe autogerenciável, certo?
- Lá vocês estão trabalhando com desenvolvimento orientado a testes?
- Como é o processo de integração contínua?
- Na sua opinião, quais são as principais diferenças entre a filosofia por trás do MPS.BR e a das abordagens ágeis?
- O que mudou com a sua ida para o Tecgraf em termos de satisfação pessoal?
- Qual a sua percepção sobre a qualidade do seu trabalho?
- Você voltaria a trabalhar na empresa anterior?
- Você acha que é necessário ter uma avaliação para se produzir software com qualidade?
Tags agile, cmmi, iso, mpsbr, podcast, scrum, teste | nenhum comentário
Publicado por Vinicius Manhães Teles há
mais de 3 anos.
Acaba de ser publicado o Improvecast 8 no qual entrevistei Carlos Barbieri, Coordenador Executivo do Projeto MPS.BR em Minas Gerais. Eu e o Carlos conversamos longamente sobre inúmeros assuntos ligados à qualidade de software, MPS.BR, CMMI, processos ágeis de desenvolvimento de software, entre outros.

O podcast gerado é uma verdadeira aula sobre MPS.BR, com alguém que conhece muito o assunto. Ele contém também uma análise crítica sobre o MPS.BR e apresenta informações sobre a sua relação com o mundo ágil.
A conversa foi mais longa que o previsto, por isso foi necessário dividir o podcast em três partes:
Esses foram alguns dos assuntos tratados no podcast:
Espero que esse podcast ajude a esclarecer conceitos equivocados, tanto em relação ao MPS.BR, quanto em relação às metodologias ágeis. Para quem estiver chegando agora ao mundo do desenvolvimento ágil, é válido ler o capítulo 2 do meu livro, ou os capítulos 3 e 4 da minha dissertação de mestrado (PDF).
Ambos explicam a filosofia por trás do desenvolvimento ágil e porque ela difere tanto da visão tradicional de desenvolvimento de software. Ajuda, por exemplo, a compreender a distância que existe entre o modelo de pensamento do MPS.BR e o das abordagens ágeis. Um detalhe importante é que a dissertação pode ser baixada gratuitamente e, para ser honesto, tem esse assunto melhor explicado que no livro, que é um pouco mais antigo e mais caro. Portanto, aproveite! :-)
Tags agile, cmm, mpsbr, pmi, podcast, xp, xprio | 4 comentários
Publicado por Vinicius Manhães Teles há
mais de 3 anos.
Diogo Lopes, de Recife (PE), nos escreveu para dizer que está gostando dos podcasts, mas que poderíamos usá-los para apresentar melhor as características das diversas abordagens ágeis de desenvolvimento, ao invés de simplesmente criticar o que já existe.
Como sugestão de pautas, ele sugere ter mais podcasts divididos nessas três áreas:
- Evangelização, onde se fala muito bem de algo, sem se preocupar em provar nada.
- Cases, mostrando que é viável.
- Ensinamentos, para mostrar como se faz.
A sugestão é excelente! Se você também quer sugerir um assunto, por favor, deixe um comentário aí embaixo. Nós queremos e iremos usar os Improvecasts para tratar de inúmeros assuntos ligados a desenvolvimento ágil de software. Adoraríamos saber o que você quer ouvir.
Acho válido esclarecer que o Improvecast 3, sobre CMM, MPS.BR etc acabou saindo assim meio que por acaso. Na verdade, eu estava batendo papo com o Juan Bernabó pelo Skype, quando resolvemos chamar o Alexandre Novello também e começar a gravar o que estávamos discutindo. Nada foi planejado. Acabou saindo uma conversa muito ligada a questões de certificação, entre outras que não têm tanto a ver com desenvolvimento ágil. Depois, o Marcos Pereira se interessou pelo assunto e quis participar também, o que deu origem ao Improvecast 4.
Nossa intenção principal é usar esse canal para divulgar as técnicas ágeis, como foi feito nos Improvecasts 1, 2 e 5. Em todo caso, dada a cultura que se instalou na área de desenvolvimento de software, provavelmente é útil ter também alguns podcasts como esses que trataram de CMM etc para que as pessoas comecem a refletir. Questionar o status quo é essencial, especialmente em nossa área, onde, apesar de todos os esforços empregados, a incidência de falhas ainda é alarmante.
Diogo, muito obrigado por suas sugestões e observações!
Tags agile, cmm, mpsbr, podcast | 1 comentário
Publicado por Vinicius Manhães Teles há
mais de 3 anos.
Acaba de ser publicado o quarto Improvecast. O título é: Depoimento de quem adotou o MPS.BR. No último Improvecast, falamos sobre CMM, MPS.BR, ISO e outras certificações. Entretanto, nenhum dos três participantes tinha experiência real com essas abordagens. Felizmente, Marcos Pereira, que acabou de vivenciar a implantação do MPS.BR, se habilitou a gravar um podcast conosco, onde conta sua experiência.
Na empresa em que ele trabalha, houve um investimento de dezoito meses para a implantação do MPS.BR até o ponto em que eles atingiram a certificação MPS.BR nível G, o mais baixo. Após todo o investimento que foi feito, ele considera que os resultados não são animadores e a contribuição da certificação é, no mínimo, duvidosa.
Gostaríamos de agradecer ao Marcos por essa conversa e por compartilhar sua experiência e visão sobre o que está acontecendo em sua organização. Mais uma vez, convidamos outras pessoas que tenham experiência com essas certificações a participarem de um novo podcast, onde possam contar sobre o que viram, vivenciaram, e observaram de problemas e benefícios. Para isso, basta entrar em contato.
Tags cmm, iso, mpsbr, podcast | 4 comentários
Publicado por Vinicius Manhães Teles há
mais de 3 anos.
Acaba de sair o terceiro Improvecast, o podcast da Improve It. :-) O título é CMM? MPS.BR? ISO? Não, tô fora!
Essa semana teve início no XP Rio uma discussão sobre modelos de desenvolvimento de software e respectivos processos de certificação. No fim da tarde de sexta-feira, Juan Bernabó (TeamWare), Alexandre Novello (Grupo Santa Isabel) e eu, resolvemos nos encontrar no Skype para registrar nossas opiniões nesse podcast.
Claramente, nenhum de nós aprova esses modelos. Na verdade, o podcast inteiro revela uma visão muito crítica sobre eles. Gostaria de convidar aqueles que não compartilham nossas visões sobre esse assunto a participarem da gravação de um novo podcast, onde possamos contar também com opiniões diferentes das nossas. Isso enriqueceria muito o debate. Então se estiver interessado, fale conosco.
Considerações sobre o título: Meu amigo, Leonardo Murta, também me lembrou que o título "CMM? MPS.BR? ISO? Não, tô fora!" não é o mais apropriado para promover um debate sadio sobre esse tema, visto que cria a falsa impressão de que os envolvidos não estão abertos a considerar outros pontos de vista. Concordo com a observação dele. Vale dizer que a responsabilidade sobre a escolha do título foi exclusivamente minha. Nem o Juan, nem o Novello participaram disso. Devo confessar que escolhi esse título como forma de chamar a atenção das pessoas, ou seja, criar polêmica. Atualmente todo mundo parece aceitar essas certificações como a coisa mais natural do mundo, então quis chacoalhar as pessoas. Mas, existe o lado que o Leo apontou, muito corretamente. Portanto, não se enganem, essas certificações não nos atraem, mas estamos mais do que dispostos a ouvir outras opiniões, aprender mais sobre o assunto e, quem sabe, mudar de pontos de vista.
Tags agile, certificação, cmm, iso, lean, mpsbr, podcast, scrum, xp | 3 comentários
Publicado por Vinicius Manhães Teles há
mais de 3 anos.
Empresas que utilizam Extreme Programming podem ser certificadas em CMM, CMMI ou MPS.BR sem descaracterizar as práticas do XP?
Jefferson Rodrigues, estudante de sistemas de informação em MG, enviou uma mensagem sobre essa questão para o XP Rio e a discussão está agitada.
Vale a pena ler o artigo Extreme Programming from a CMM Perspective, escrito por Mark Paulk, do SEI (Software Engineering Institute) e publicado pela IEEE Software em 2001.
Ele mostra que XP endereça boa parte das KPAs (key process areas) do CMM. Ambos são complementares.
CMM diz o que as organizações devem fazer em termos gerais, mas não diz como fazer. XP, por sua vez, é um conjunto de boas práticas que contém informações bastante específicas sobre como fazer as coisas.
Leia o artigo e participe da discussão.
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