Publicado por Marcos Tapajós há
aproximadamente 1 ano.
Tem gente "chutando" Demeter.
Minha idéia era escrever um post dessa série por semana, mas infelizmente uma tendinite tem me atacado e está meio complicado ficar escrevendo muito. Por isso mesmo esse segundo artigo será bem compacto. Todos os códigos citados nesse post fazem parte de um projeto How Test que está disponível em: http://github.com/tapajos/how-test
Nesse post a minha idéia é mostrar de forma bem simples como funciona um mock object no Rspec e no Test::Unit(usando o mocha).
Para exemplificar eu vou fazer uma crítica a uma construção que eu tenho visto muito em diversos projetos e que viola a Lei de Demeter(Principle of Least Knowledge). Ou como dizia, o meu amigo, Bernardo, "Tem gente chutando Demeter!".
Vamos a um exemplo dessa violação:
Supondo que você tenha um modelo Account que se relaciona ao modelo User.
class Account < ActiveRecord::Base
belongs_to :user
end
Freqüentemente eu vejo construções do tipo:
@account.user.name
@account.user.mail
@account.user.rg.number
@account.user.rg.state
@account.user.rg.city
O grande problema é que nesse tipo de construção você está "conhecendo" coisas demais e certamente vai pagar por isso num futuro breve, quando você precisar fazer um refactoring e tiver que mudar em vários lugares. Imagina se o User deixa de ter um "name" e passa a ter um "full_name".
Para resolver esse tipo de problema basta você concentrar esse "conhecimento" no seu modelo Account da seguinte forma:
class Account < ActiveRecord::Base
belongs_to :user
def user_name
user.name
end
end
OBS: Vou me concentrar apenas no problema com o nome e não vou me preocupar em validar se o relacionamento foi estabelecido.
Bem, finalizada a crítica a uma falha de design OO vamos ao objetivo desse post, mostrar como *EU* testaria esse problema.
Como eu falei no post anterior, não gosto muito de usar fixtures para testes unitários e por isso mesmo vou apelar aos mock objects. Se você não está muito familiarizado com mocks sugiro que pare por aqui e leia um pouco mais sobre isso. Uma referência rápida pode ser o wikipedia mas realmente sugiro que vá mais adiante.
Testando usando RSpec(usando o framework de mock padrão):
before(:each) do
@account = Account.new
@user_mock = mock_model(User)
@account.stub!(:user).and_return(@user_mock)
end
describe ".user_name" do
it "should delegate to user.name" do
@user_mock.should_receive(:name).and_return("Tapajós")
@account.user_name.should == "Tapajós"
end
end
Testando usando Test::Unit com mocha:
setup :create_model
def test_user_name
@user_mock.expects(:name).returns("Tapajós")
assert_equal "Tapajós", @account.user_name
end
private
def create_model
@account = Account.new
@user_mock = mock("User")
@account.stubs(:user).returns(@user_mock)
end
Explicando...
Em ambos os casos eu preciso que a minha account simule o relacionamento com User e para isso eu vou retornar um mock object. Isso é feito pelas linhas:
RSpec:
@account.stub!(:user).and_return(@user_mock)
Test::Unit:
@account.stubs(:user).returns(@user_mock)
Após o setup ou o before, temos um modelo @account onde o @account.user retorna um mock.
Feito isso eu preciso configurar o meu mock, isto é, informar que ele receberá uma mensagem name (chamada do método .name) e essa retornará o meu nome(sim, sou egocêntrico). Isso é feito pelos métodos "should_receive" e "expects" conforme as linhas abaixo:
RSpec:
@user_mock.should_receive(:name).and_return("Tapajós")
Test::Unit:
@user_mock.expects(:name).returns("Tapajós")
Depois que nossos mocks foram devidamente configurados podemos, finalmente, fazer nossa verificação do retorno, isto é, simplesmente chamar nossos métodos conferir o retorno. Pronto teste feito com sucesso, sem precisar recorrer a banco de dados nem configurar fixtures.
Nesse momento deve ter surgido uma dúvida: "Porque uma hora você usa stub! e outra um should_receive?"
A resposta é bem simples, o stub! não faz um verify no final enquanto a outra chamada sim. Na pratica isso significa:
Stub! ou stubs
Quando eu uso stub!(ou um Stubs) eu estou configurando o meu modelo account para responder pelo método user retornando o @mock_user porém não me interessa quebrar esse teste caso você não chame esse método.
Should_receive ou expects
Quando eu uso should_receive(ou um expects) eu estou configurando o meu mock user para responder pelo método name porém caso esse método não seja chamado eu devo quebrar meu teste, pois isso seria um comportamento indesejável.
Porque usar mocks?
Ao contrário do que muita gente pensa o uso de mocks não é um bicho de 7 cabeças, é bem simples. Na verdade testar é algo simples, desde que você tenha domínio do ferramental e os mocks são realmente úteis em diversos casos.
Imagina que o seu sistema precise fazer consultas a uma api publica do Yahoo e para isso você tenha criado uma classe de consultas. Você não vai querer(nem o Yahoo vai gostar) ir lá no servidor toda vez que você rodar os seus testes. Isso tornaria os seus testes lentos e impossível roda-los offline. Nesse caso você resolve seu problema "mockando" essa classe.
Tags rails, rspec, rspec_on_rails, ruby, test, Testes, unit | 8 comentários
Publicado por Marcos Tapajós há
aproximadamente 1 ano.
Quando comecei a estudar Extreme Programming descobri que não é possível fazer nenhum software de qualidade sem uma excelente base de testes. Desde então tenho me dedicado muito ao estudo das mais diversas ferramentas e técnicas para elaborar bons de testes.
O assunto testes é bastante polêmico e não pretendo (nesse post) tentar convencer ninguém da importância deles. Se você não faz testes e/ou discorda de qualquer uma das minhas afirmações deixo algumas perguntas para você refletir.
1 - Quantos bugs fixes você fez esse ano?
2 - Quantos tickets abertos existem no seu bug tracker?
3 - Quantas vezes você fez um deploy de uma nova versão em uma sexta feira de tarde e saiu mais cedo do trabalho?
4 - Quantas vezes você "virou a noite" esse ano?
Acabei me tornando um evangelizador de testes porém nunca fiz nada muito prático para passar o conhecimento que eu adquiri para a comunidade. Só que agora vou me redimir dessa falha iniciando uma série de posts onde vou expor um problema e como EU testaria usando Test::Unit e Rspec. Não vou falar de Shoulda pois não gosto dele. :-)
A idéia de escrever essa série de posts sobre testes surgiu logo após a gravação do terceiro episódio do RailsBox e gostaria de agradecer ao Ozeias e ao Davis Cabral por terem me motivado.
"Back to the cold cow..."
O ActiveRecord simplifica muito nossos modelos porém tenho observado que em vários projetos os desenvolvedores deixam de testar corretamente os seus modelos usando a alegação que não vão testar alguma coisa que o Rails já testou. Esse é um argumento valido em alguns casos pois você está apenas delegando responsabilidades mas você sempre deve testar se a responsabilidade foi realmente delegada.
Um exemplo clássico são as validações. Teoricamente você não precisaria testar como elas são implementadas mas deve testar se elas realmente existem pois se alguém remove-las seus testes vão continuar passando mas sua aplicação estará quebrada e/ou permitindo inconsistências de banco de dados.
Nesse post vou mostrar como testar alguns comportamento do ActiveRecord usando como base o modelo User. Todos os códigos citados nesse post fazem parte de um projeto How Test que está disponível em: http://github.com/tapajos/how-test
class User < ActiveRecord::Base
validates_presence_of :name
validates_format_of :mail,
:with => /([-.\w^@]+@(?:[-\w]+.)+[A-Za-z]{2,4})+/i,
:on => :create,
:allow_nil => true
has_many :accounts
named_scope :actives, :conditions => ["active = ?", true]
end
Uma boa estratégia para orientar o desenvolvimento dos teste é elaborar algumas perguntas que darão origem aos seus cenários de testes.
Validação do nome
- Posso cadastrar um usuário sem nome? Não
Testando usando Test:Unit:
def test_if_check_presence_of_name
assert !@user.valid?, "Should be invalid"
assert_equal "can't be blank", @user.errors[:name]
end
Na primeira linha desse teste o assert recebe um segundo parâmetro que por ser opcional não é muito comentado mas merece uma atenção especial. Esse argumento nada mais é do que a mensagem que será exibida quando o teste quebrar. Quando você omite esse parâmetro o teste quebra exibindo a mensagem 'false is not true' que não ajuda muito a entender o que está acontecendo.
Testando usando RSpec:
it "should reject if name is not given" do
@user.should have(1).error_on(:name)
@user.errors[:name].should == "can't be blank"
end
Validação do e-mail.
- Posso criar um registro com um e-mail inválido? Não
- Posso atualizar um regitro com um e-mail inválido? Sim
- Posso criar um registro com um e-mail em branco? Sim
Testando usando Test:Unit:
VALIDS_MAIL = %w(foo@bar.com foo@bar.com.br foo@globo.com foo@i_hate_the_microsoft.com foo@i_love_my_mac.com)
INVALIDS_MAIL = %w(foobar.com foo@bar i_hate_the_microsoft.com i_love_my_mac.com)
def test_if_reject_invalid_format_os_mail_on_create
INVALIDS_MAIL.each do |mail|
@user.mail = mail
assert !@user.valid?, "Should be invalid when mail is #{mail}"
assert_equal "is invalid", @user.errors[:mail]
end
end
def test_if_not_reject_when_mail_is_nil
@user.name = "Tapajós"
assert @user.valid?, "Should be valid"
end
def test_if_not_check_format_of_mail_on_update
@user.name = "Tapajós"
assert @user.save, "Should save"
@user.mail = "an invalid mail"
assert @user.valid?, "Should be valid"
end
def test_if_accept_a_valid_mail
VALIDS_MAIL.each do |mail|
@user.name = "Tapajós"
@user.mail = mail
assert @user.valid?, "Should be valid when mail is #{mail}"
end
end
Testando usando RSpec:
INVALIDS_MAIL.each do |mail|
it "should reject because #{mail} is an invalid mail" do
@user.mail = mail
@user.should have(1).error_on(:mail)
@user.errors[:mail].should == "is invalid"
end
end
VALIDS_MAIL.each do |mail|
it "should be valid when mail is #{mail}" do
@user.mail = mail
@user.should_not have(1).error_on(:mail)
end
end
it "should not reject if mail is not given" do
@user.name = "Tapajós"
@user.should be_valid
end
it "should not check mail format on update" do
@user.name = "Tapajós"
@user.save.should be_true
@user.mail = "an invalid mail"
@user.should be_valid
end
Testando o relacionamento com Account.
- Um usuário pode ter mais de uma conta? Sim
Testando usando Test::Unit:
def test_has_many_accounts
association = User.reflect_on_association(:accounts)
assert association, "Association with account is not found"
assert_equal :has_many, association.macro
end
Testando usando RSpec:
it "should has many accounts" do
association = User.reflect_on_association(:accounts)
association.should_not be_nil
association.macro.should == :has_many
end
Testando o User.actives
- Posso listar usuários inativos? Não
Testando usando Test::Unit:
def test_if_actives_use_the_correct_conditions
assert_equal({:conditions=>["active = ?", true]}, User.actives.proxy_options)
end
Testando usando RSpec:
it "should find for all users that status of active is true" do
User.actives.proxy_options.should == {:conditions=>["active = ?", true]}
end
Para esse post ficar mais simples e curto não me preocupei em validar se o tamanho máximo dos campos está coerente com o tamanho máximo permitido pelo tipo no banco de dados. Essa é uma validação EXTREMAMENTE importante que não deve ser esquecida!
No próximo post dessa série falarei um pouco sobre a Lei de Demeter, como respeita-la e testar alguns métodos usando Mock Objects.
O que você achou desse artigo? O que você gostaria de saber sobre testes de ActiveRecord que eu não falei aqui?
Aguardo o feedback de vocês.
Tags rails, rspec, rspec_on_rails, ruby, test, Testes, unit | 46 comentários
Publicado por Vinicius Manhães Teles há
mais de 2 anos.
No último final de semana eu assisti pela segunda vez os excelentes vídeos do PeepCode sobre o RSpec. Embora eu já conhecesse o assunto e já tivesse inclusive assistido os vídeos anteriormente, desta vez eu queria implementar os exemplos com calma, enquanto ia avançando no vídeo. Gostei muito do resultado final. Então, decidi que estava na hora de migrar os testes do projeto atual para o RSpec.
Passados alguns dias, todos os testes foram transformados em especificações do RSpec e consegui entender bem o funcionamento das coisas. O RSpec me pareceu melhor que o TestUnit em inúmeros pontos:
- A linguagem usada para implementar as especificações é mais natural e flui melhor.
- O relatório gerado toda vez que executo os testes é excelente para descrever claramente todos os exemplos que foram criados para uma especificação.
- O RSpec on Rails usa uma divisão de arquivos e diretórios mais coerente com a divisão natural que o Rails faz entre models, controllers, helpers e views.
- A integração com o AutoTest é tão boa ou melhor que a do TestUnit.
Terminamos a migração hoje, apagamos os testes antigos e alteramos os scripts de integração para passar a executar as especificações. Agora só falta migrar os testes de alguns plugins. Aliás, o Brazilian Rails seria um ótimo candidato. :-)
Outro assunto que também andei estudando com mais calma foi o TextMate. Há algumas semanas eu li o livro dos Pragmatic Programmers sobre ele e fiquei ainda mais fascinado com o editor. As automações que estão presentes ajudam muito. Aliás, o bundle do RSpec é uma mão na roda. Agora, à medida que avançamos, estamos criando algumas automações novas e hoje criamos um repositório interno para elas. Assim, eu e o Tapajós podemos ter sempre os mesmos bundles sincronizados.
Aliás, uma das coisas que mais gostei do TextMate foi descobrir que ele tem um suporte sensacional para o Typo, o engine do nosso blog. Neste momento, eu estou escrevendo este post inteiramente no TextMate e, quando terminar, bastará apertar uma combinação de teclas para o TextMate publicá-lo para mim. Eu não faço nada, apenas espero aparecer uma janela do browser com o meu artigo. Aliás, sabe esta foto aí em cima, bastou arrastá-la para o local do texto onde eu queria que ela ficasse. O TextMate se encarregou de fazer o upload e colocar o link no texto, em Markdown, já que sempre o utilizo. Escrever no blog ficou ainda mais fácil! Como diria o Steve Jobs em seus clássicos keynotes: ain't that cool? :-)
Tags rspec, textmate | 3 comentários